Em defesa da política moderada

Por Beto Preto

O atual cenário político brasileiro, marcado por tensões e polarizações constantes, tem produzido efeitos nocivos à vida nacional. A maioria da população já demonstra cansaço diante de disputas ideológicas que pouco dialogam com os problemas reais das pessoas.

Se a radicalização trouxe algum aprendizado, foi a confirmação de uma convicção que carrego desde o início da minha trajetória: somente a capacidade de construir consensos e agir com pragmatismo produz resultados concretos.

Na Medicina e na vida pública, aprendi que ninguém constrói nada sozinho. Essa compreensão se traduz em solidariedade, empatia e senso de coletividade. Significa reconhecer boas iniciativas, independentemente de sua origem, e valorizar aquilo que efetivamente beneficia a população. Política responsável é aquela que respeita o cidadão acima de disputas circunstanciais.

Uma boa gestão não tem dono; tem compromisso social. Não se orienta por extremos; se orienta por resultados. É esse espírito que tem guiado minha atuação como secretário da Saúde do Paraná, a convite do governador Carlos Massa Ratinho Junior.

Assumi a missão de fortalecer a regionalização da saúde e ampliar o acesso à assistência em todas as regiões do Estado. Esse propósito está alinhado a uma visão administrativa baseada em planejamento técnico, diálogo institucional e foco permanente na eficiência. Gestão pública exige maturidade, não radicalismo.

Os resultados são concretos e verificáveis. O Paraná vive um ciclo histórico de investimentos na saúde: mais de 1.600 obras em andamento ou concluídas, mais de 8 mil veículos entregues aos municípios e o maior programa de cirurgias eletivas do país, com mais de 90 procedimentos realizados por hora, todos os dias.

Avançamos não apenas na infraestrutura, mas na organização da jornada do paciente, tornando o atendimento mais ágil, regionalizado e resolutivo.

Falo também a partir da experiência de quem já esteve do outro lado do balcão. Como prefeito de Apucarana, município de 140 mil habitantes no Vale do Ivaí, passei seis anos administrando a máquina pública.

Em todo esse período, após reiteradas solicitações ao Governo do Estado, recebemos apenas um veículo básico e uma ambulância. Seis anos. Somente na última semana, tive o prazer de poder entregar dez ambulâncias ao município.

Essa é a diferença entre uma política distante e uma política verdadeiramente municipalista, aquela que enxerga os 399 municípios com o mesmo compromisso, sem distinção, porque, antes de qualquer disputa, somos todos paranaenses.

No entanto, não se trata apenas de números. Trata-se de transformar políticas públicas em atendimento real, perto de quem precisa. Trata-se de substituir retórica por ação.

Reafirmo, portanto, minha defesa de uma política equilibrada, colaborativa e orientada por resultados. A moderação não é omissão. É responsabilidade. Não é fraqueza. É maturidade institucional.

Governar bem exige menos confronto e mais construção. E é esse o caminho que sigo defendendo.